Andre Clark

A série de entrevistas Perspectivas 2021 abre o noticiário desta quarta-feira (16) com as previsões otimistas do diretor-geral da Siemens Energy Brasil, André Clark. O executivo explica que apesar dos desafios enfrentados, 2020 foi muito importante para a história da companhia – que chegou ao mercado em abril. E para o próximo ano, as expectativas são animadoras. O otimismo está baseado em notícias recentes, como a retomada dos leilões de energia nova a partir de 2021. Nosso convidado também lembra das futuras licitações nas áreas de transmissão, eólica, solar e óleo e gás, que igualmente criarão novos negócios. Clark ressaltou ainda o interesse de clientes em projetos de descarbonização, abrindo uma nova janela de oportunidades. “Esperamos um ano excepcional devido especialmente a esse olhar sustentável”, declarou. Por fim, o diretor da Siemens Energy defendeu as reformas econômica e tributária para que o Brasil volte a crescer e está na torcida pela aprovação da Nova Lei do Gás. Vejamos agora quais são as opiniões de André Clark:

Como o senhor e sua empresa enfrentaram os desafios de 2020, com a pandemia apanhando a economia brasileira em pleno voo de subida?

Esse foi um ano realmente importante para a história da Siemens e da Siemens Energy. Em março, tivemos a separação das empresas, e a Siemens Energy herdou o legado da companhia, que no Brasil atua há 150 anos. Tivemos bastante trabalho de processos e divisões lógicas, parte tributária, contábil, jurídica e atendendo todos os cronogramas necessários para o progresso global. A Siemens Energy nasceu focada na transformação energética, com o principal objetivo de atender à crescente demanda de energia no mundo de forma sustentável.

Em outubro, fizemos o lançamento das ações na Bolsa de Valores de Frankfurt e tivemos uma valorização no mercado. Nossas operações estão fluindo, principalmente com a integração de novas lideranças, e iniciamos um conjunto muito grande de transformações. Nós crescemos em todas as nossas cinco áreas: Geração, Transmissão, Aplicações Industriais, Novos Negócios e Renováveis. Em 2020, tivemos crescimento significativo, tanto de pedidos como em faturamento.

E tudo isso aconteceu na realidade do Covid, aprendendo uma nova forma de trabalhar. Esvaziamos nossas fábricas com pessoas que estavam aptas para trabalhar em casa, a fim de protegê-los, atuando com menos risco de contaminação. Foram tomadas medidas como medição de temperatura e testagem em 100% dos funcionários da linha de produção a cada 15 dias, demarcação do distanciamento em nossas instalações, divisão de turnos mais populosos, para não haver tanto contato. Trouxemos a telemedicina para a casa dos colaboradores, oferecemos apoio psicológico e aparelhamos todos para trabalharem confortavelmente dentro de suas residências.

A Siemens Energy continuou assinando publicamente uma série de compromissos importantes, como a integridade da cadeia produtiva no combate à corrupção e no negócio ético. Assinamos um pacto sobre a recepção e criação de um ambiente de trabalho saudável para pessoas com deficiências. Continuamos a descarbonizar nossas operações, e tivemos 100% de energia limpa compradas para uso interno. Nada parou, tudo acelerou.

Foi ampliado o uso de óculos de realidade virtual em nossas fábricas e projetos para facilitar a comunicação com clientes e parceiros. Aumentamos nossa participação em atividades digitais e criamos um guia prático com informações sobre o coronavírus.

Foi um ano de enormes desafios e enormes vitórias de todos, acima de tudo isso o nosso pessoal manteve a calma e a produtividade, entregamos tudo o que nos propusemos este ano.

Quais são as perspectivas do senhor e de sua empresa para 2021?

siemens

O ano de 2021 vai ser ainda melhor que o de 2020. Por quê? Na última semana, o Ministério de Minas e Energia anunciou a volta dos leilões de geração no próximo ano de maneira ainda mais interessante: projetos que estão prontos e ativos nos nossos clientes poderão ir a leilão. Isso é extremamente atrativo, pois agrega os leilões de potência, e cria possibilidades de despacho superior às termelétricas, tornando os projetos a gás mais atraentes ao mercado. Isso além dos leilões de transmissão, do mercado livre de eólica e solar, e do mercado de óleo e gás, trazendo FPSOs para serem licitadas.

Por fim, nossos clientes estão anunciando interesse em projetos de grande porte para descarbonização imediata de seus portfólios. Esperamos um ano excepcional devido especialmente a esse olhar sustentável. O hidrogênio verde, que neste momento caminha com projetos piloto, certamente ganhará protagonismo e já vemos muito interesse em relação. Estamos animados com essa ideia.

Se o senhor fosse consultado, quais as recomendações e sugestões que faria para o governo neste novo ano que está prestes a iniciar?

Eu recomendaria uma reforma econômica e tributária, para o Brasil voltar a crescer. Seria profundamente positivo ao país. Além disso, também daria reforço para as agências. Elas precisam ser vistas como se fossem o Banco Central. A sociedade brasileira vive bem com a ideia de independência, e por quê não ter agências de infraestrutura independentes?

Como sugestão, apostaria na capitalização da Eletrobras para movimentar o PIB de forma significativa, o que poderia representar até 2%. A Lei do Gás aprovada também agitaria a economia. O Congresso tem nas mãos um conjunto muito grande de reformas do sistema energético nacional (eletricidade, gás e petróleo), além das reformas tributária e fiscal, que podem impulsionar tremendamente a próxima década.