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O Ministério de Minas e Energia lançou oficialmente o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 nesta quarta-feira (16), em Brasília. O documento, que traz indicativos sobre a evolução e o planejamento do setor de energia brasileiro, traz uma novidade: a mudança de paradigma sobre a disponibilidade de recursos energéticos no país. O estudo mostra que o Brasil passa por uma situação de abundância de fontes de energia. Esse cenário, conforme prevê e indica o PNE 2050, pode ser a porta de entrada para o país se tornar exportador líquido de energia.

A disponibilidade supera as projeções mais otimistas de demanda previstas para os próximos 30 anos. Temos a grande oportunidade de nos tornarmos exportadores líquidos de energia”, projetou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Embutido nessa mudança [de paradigma] está o fato desta abundância se dá em grande parte com recursos renováveis e limpos. Trata-se de um grande desafio manter o compromisso de uma matriz com elevado nível de renovabilidade, aliado à segurança de abastecimento, em um país com dimensões continentais”, completou.

De acordo com o PNE 2050, a diversidade de recursos energéticos acontece tanto em fontes fósseis como em renováveis. Essa abundância supera largamente a demanda interna prevista até 2050, que é de 15 bilhões de tep [toneladas equivalente de petróleo]. Somente a parcela dos recursos mais facilmente acessíveis representa 60% a mais do que toda a demanda do período. O desafio no horizonte do PNE 2050 será justamente administrar essa abundância. Segundo o documento, a disponibilidade total de recursos nos próximos 30 anos chegará a 280 milhões de tep.

Durante o evento de apresentação do plano, Albuquerque assinou a portaria que aprovou o relatório final do PNE 2050. O documento passou nos últimos meses por consulta pública e recebeu mais de 60 contribuições. O ministro afirmou que o plano terá um ciclo de atualização, com novas edições divulgadas a cada cinco anos. Enquanto isso, a cada ano a pasta fará notas técnicas, informes e trabalhará no plano de ação. “Importante destacar que o PNE será um processo de contínuo aperfeiçoamento. Recebemos insumo e ideias que subsidiarão estudos complementares ao relatório que hoje publicamos”, completou.

O ministro destacou outro ponto do PNE 2050, que é a indicação de construção de até 10 GW em novas usinas nucleares até 2050. “O momento atual mostra isso para o país: a importância de ter geração de base, como a nuclear, que é confiável, limpa e preserva nossas energias renováveis”, afirmou.