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Vem aí um horizonte de novas contratações envolvendo as próximas plataformas da Petrobrás para o pré-sal brasileiro. Em especial, os contratos relacionados às três futuras unidades que serão instaladas no campo de Búzios (P-78, P-79 e FPSO Almirante Tamandaré), na Bacia de Santos. Nos próximos seis meses, a estatal prevê lançar as licitações para fornecimento de sondas, serviços de poços e sistemas submarinos de coleta e exportação desses três empreendimentos. Além disso, conforme já noticiamos, já está em curso a concorrência para contratação das árvores de natal molhadas que serão instaladas nesses empreendimentos.

Ao olhar para todos os projetos de FPSOs que estão atualmente sendo licitados pela empresa, surge um número considerável de novos equipamentos e serviços que serão contratados pela Petrobrás para essas embarcações. Hoje, a estatal está com licitações na praça para as já mencionadas P-78, P-79 e FPSO Almirante Tamandaré. Além destas, também estão em curso as concorrências para Mero 4, Itapu e a unidade de Parque das Baleias. Se considerarmos os números de um projeto típico do pré-sal, divulgados pela própria Petrobrás, essas seis novas plataformas vão demandar por volta de 90 novos poços, 90 árvores de natal molhadas, 12 sondas de perfuração, 6 manifolds, além de barcos de apoio para lançamento de linhas.

O mercado sempre aguarda, com muita expectativa, as contratações de bens e serviços por parte da Petrobrás. Estamos falando de uma legião de mais de 19 mil empresas, que hoje fazem parte da base de fornecedoras da petroleira. Em 2019, por exemplo, a Petrobrás teve um dispêndio de US$ 52 bilhões em negócios com companhias fornecedoras, um volume de investimentos que está distribuído em 730 contratos de bens e outros 11,7 mil contratos de serviços. São dados que dão dimensão da grandeza dos números que a estatal movimenta nesta cadeia.

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Outra área que deve oferecer bons negócios para a cadeia de fornecedores é a área de descomissionamento. A Petrobrás planeja desativar 18 plataformas, gasodutos submarinos e poços offshore entre 2020 e 2024, com investimentos que chegam a US$ 6 bilhões. O maior volume de recursos ficará concentrado em 2021, quando a companhia planeja desembolsar cerca de US$ 2,3 bilhões ao longo do período.

Olhando para o futuro, o Plano de Contratação para o horizonte 2020-2022 da estatal prevê a assinatura de mais de 4.300 contratos, segundo contas feitas pela própria petroleira. É bem verdade também que, apesar dos números ainda grandiosos, o plano de investimentos da Petrobrás para os próximos anos está bem menor agora do que no início do ano, antes da crise da Covid-19. O segmento de Exploração e Produção (E&P), que recebe sempre a fatia maior de recursos, teve um corte que poderá chegar a 38%. Serão entre US$ 40 bilhões e 50 bilhões para 2021-2025, ante US$ 64 bilhões anunciados no Plano Estratégico de 2020-2024.

Ainda assim, as empresas fornecedoras do Brasil e do mundo vivem a expectativa de dias melhores, após a passagem do terremoto coronavírus, que mexeu com os alicerces dos planos de investimentos das petroleiras. Em 2019, segundo a empresa de pesquisa energética Rystad Energy, os compromissos financeiros por parte das operadoras somaram US$ 190 bilhões. Agora, em 2020, esse número deve recuar para US$ 53 bilhões. Contudo, o cenário não deve demorar para dar sinais de recuperação. A Rystad calcula que as sanções financeiras das petroleiras devem retornar ao patamar de US$ 100 bilhões já em 2021, principalmente apoiado por projetos offshore – segmento que responderá por US$ 64 bilhões no ano.