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Os próximos meses serão importantes e decisivos para a petroleira independente Enauta. A companhia deve realizar neste mês ou no próximo a licitação para contratação de sistemas submarinos de seu principal ativo, o campo de Atlanta, localizado na Bacia de Santos. Além disso, também em maio ou junho, a empresa lançará a concorrência de afretamento de barcos especiais e de perfuração de poços para o Sistema Definitivo da área.

Os novos movimentos da Enauta, presidida por Décio Oddone, são uma continuidade da licitação do primeiro FPSO definitivo de Atlanta, anunciada ao mercado no início de março de 2021. O navio-plataforma terá capacidade para produzir 50 mil barris por dia e será conectado a até oito poços produtores. Segundo a empresa, a contratação do FPSO definitivo deve ser concluída em um prazo de 10 a 12 meses. Já as licitações dos equipamentos submarinos e de perfuração de poços terão prazos de finalização sincronizados à concorrência do navio-plataforma.

“Considerando a experiência adquirida durante o Sistema de Produção Antecipada [de Atlanta], estamos implementando iniciativas para garantir a eficiência do projeto, otimizando recursos e dando especial atenção às ações que promovam a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). O reflexo dessas iniciativas poderá ser observado nos nossos números já a partir do segundo trimestre”, acrescentou a companhia em seu balanço financeiro do primeiro trimestre.

A companhia destacou ainda que outro importante vetor de crescimento será o portfólio exploratório, que será testado com o primeiro poço marítimo na região de Sergipe-Alagoas. A Enauta disse que o poço será perfurado no segundo semestre de 2021, no prospecto Cutthroat, localizado no Bloco SEAL–M-428. “O pedido de licenciamento ambiental para operação de perfuração na área está em andamento, tendo o EIA/RIMA já sido protocolado junto ao IBAMA”, detalhou.

Além de Cutthroat, a Enauta também disse que “já identificou diversas outras oportunidades com volumes consideráveis [em Sergipe-Alagoas]. Estima-se no mercado que as descobertas já realizadas em águas profundas na região ultrapassem 1,2 bilhão de barris de óleo equivalente”.

A companhia fechou o primeiro trimestre do ano com prejuízo líquido de R$ 15,8 milhões, em função de menor lucro operacional somado ao impacto negativo da variação cambial sobre saldos de passivo de arrendamento. O caixa líquido registrado no intervalo foi de cerca de R$ 1,8 bilhão. As receitas somaram R$ 180,7 milhões. A produção total da companhia entre janeiro e março foi de 1,05 milhão de barris de óleo equivalente, queda de 32% na comparação com o mesmo período de 2020 – ainda com os impactos da suspensão da produção de Atlanta, que só foi retomada em 19 de fevereiro.