Ricardo Savini disse que os campos em terra são os que veem as maiores oportunidades de aumento do fator de recuperação dos reservatórios


O presidente da 3R Petroleum, Ricardo Savini, disse que a empresa está participando de todos os processos de desinvestimentos de campos maduros em terra abertos pela Petrobras.

O executivo conta que os polos colocados à venda pela empresa, neste momento, são de maior porte que os ativos comprados pela companhia até agora. “A Petrobras decidiu vender praticamente bacias inteiras, em alguns casos com campos, UPGNs [unidades de processamento de gás natural] e até refinaria [caso de Clara Camarão/RN]. Quem entrar nesses ativos já entra sinérgico”, disse.

Ele comentou sobre o interesse nesses ativos. E citou o caso do Polo de Urucu (AM), processo no qual a companhia perdeu a disputa para a Eneva.

“Víamos em Urucu uma possibilidade de redesenvolvimento dos campos. E dava estabilidade de fluo de caixa grande. A estrutura financeira estava montada… Não era um polo que divergia da nossa narrativa e modelo de negócios”, comentou, ao comentar sobre questionamentos de analistas quanto à estratégia da 3R de entrar num mercado mais isolado.

Savini explicou que a primeira oferta da companhia pelo ativo foi feita com condicionantes, associadas em parte à possibilidade de redução das tarifas de transporte do gás. Depois que a Petrobras vetou as condicionantes e abriu uma segunda rodada, a 3R decidiu reduzir os valores da oferta. “Não ofertamos menos porque vimos menos valor, só ajustamos a oferta à impossibilidade da redução do valor de transporte

Ele destaca que, apesar de algumas aquisições recentes de campos em águas rasas, o foco da empresa está em terra. “É em terra onde vemos as maiores oportunidades de aumento do fator de recuperação dos reservatórios”, afirmou.

Savini explicou que a investida da petroleira em concessões marítimas, como os polos Pescada/Arabaiana e Peroá/Congoá, ocorreram em ativos relativamente próximos à costa, conectados por dutos às instalações terrestres e com plataformas automatizadas, sem tripulação. “Esses ativos têm opex [custos de operação e manutenção] baixos quando comparados às plataformas isoladas, que necessitam de navios aliviadores e possuem custos associados a tripulação”, disse.

Questionado se a 3R mira campos maduros em águas profundas, como Albacora e Marlim, Savini não descartou a possibilidade, mas reforçou que o foco está no onshore.

“Uma oportunidade [em águas profundas] com preço atrativo que nos traga reservas de grande quantidade, pelo preço certo, pode fazer sentido para nós. Olhamos? Olhamos, mas não é o foco”, disse.

Questionado sobre uma eventual internacionalização da companhia, Savini disse que a empresa possui profissionais com experiência em diferentes países da América Latina e que a companhia monitora oportunidades “aqui e ali”.

“Mas as grandes oportunidades estão hoje no Brasil. Nosso foco é praticamente 100% Brasil. A internacionalização vai acontecer em algum momento, mas ainda temos dois a três anos de muito trabalho nos desinvestimentos da Petrobras”, comentou.

Fonte: https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/empresas/noticia/2021/02/04/3r-petroleum-participa-de-todas-oportunidades-para-aquisicao-de-campos-maduros-da-petrobras-diz-presidente.ghtml