Márcio Razera - AWDC Latin America 002

O ano de 2020 vai se aproximando do fim e apesar de todos os desafios, será lembrado por muitas empresas como um período de oportunidades – mesmo diante de tantas adversidades. É o caso da Aveva, que atua impulsionando a transformação digital no mercado. A pandemia acelerou o processo de digitalização de muitas companhias e a Aveva aproveitou esse momento para expandir sua presença no Brasil e na América Latina – com especial atenção para o setor de óleo e gás. É o que revela o Chefe de Vendas e Desenvolvimento de Negócios da Aveva no país, Márcio Razera. “A América Latina, em termos de porcentagem de crescimento, foi a principal região dentro da Aveva. E o Brasil, dentro da América Latina, foi o país que puxou esse crescimento”, afirmou o executivo. Para 2021, Razera projeta mais um ano cheio de oportunidades e revela otimismo em relação a novos negócios: “Ficou evidente que as tecnologias e a transformação digital são os caminhos para o sucesso. A pandemia veio para comprovar isso. O ano de 2020 é de consolidação e revisão de planos. Já 2021 será um ano de consolidação dessas soluções e dessa trajetória”, concluiu.

Que tipos de soluções a Aveva quer apresentar ao setor de óleo e gás no Brasil?

De uma maneira geral, as quatro áreas principais de negócios da Aveva são: engenharia, gerenciamento de ativo, monitoração/controle; e otimização de plantas e performance.

A área de engenharia é dividida em duas partes: a primeira atende muito mais as empresas de engenharia, com ferramentas para suportar a configuração de projetos e controle de materiais; e a segunda que envolve simulação, otimização e treinamento de operadores, controles avançados, etc.

Na parte de monitoração e controle, temos os sistemas supervisórios (SCADA – Supervisory Control and Data Acquisition). Existe bastante demanda para isso no mercado de óleo e gás, de maneira geral. Em gerenciamento de ativos, realizamos essa atividade com soluções conectadas em tempo real e integradas com os sistemas de engenharia. Por fim, na área de otimização/controles avançados, atuamos com ROT (otimização em tempo real), planejamento de produção, integração da cadeia de suprimentos, etc.

Assim, nós servimos o mercado de óleo e gás de diversas maneiras. Agora ainda mais, após nossa integração com a empresa OSIsoft, o que nos deu uma base instalada muito grande. Então, de uma maneira geral, estamos realmente atendendo o mercado fortemente.

O que mudou na visão da empresa sobre óleo e gás após o período da pandemia?

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A pandemia afetou todas as pessoas e as empresas, inclusive a própria Aveva. Então, a decisão do nosso CEO foi liderar pelo exemplo. Ou seja: somos uma empresa de tecnologia, então tudo para nós internamente passou a ser em cloud e remoto. Não faria sentido ir para o mercado vender algo que nós mesmos não utilizássemos dentro da empresa.

Primeiro, existiu uma transformação interna, principalmente com o home office. Com esse conhecimento interno adquirido, nosso approach no mercado ficou mais consistente. Conseguimos identificar os pontos de melhoria e de atenção, onde o cliente tem que melhorar. De maneira geral, como a crise da Covid-19 aconteceu muito rápido, várias empresas ficaram perdidas, sem saber qual parte do processo de transformação digital deveria acelerar.

Até então, a Aveva estava trabalhando com a parte de planejamento de produção, otimização de processos e outras atividades. E, de repente, o foco mudou para cloud e trabalho remoto.

Poderia citar alguns projetos em que a Aveva teve envolvimento e os impactos da pandemia no mercado de O&G?

No mercado de óleo e gás, é notório que a Petrobrás está fazendo uma série de desinvestimentos. Nos principais projetos de transição da Transpetro da parte de midstream para empresas como TAG e Engie, conquistamos toda a parte de supervisório e controle. Na parte do refino, estamos tendo sucesso no setor de engenharia. E  temos avançado bastante em mobilidade. Para a parte de petroquímica, as nossas soluções são na linha de gerenciamento de ativos, otimização de produção e tudo mais.

Então, de uma maneira geral, não vi o mercado de óleo e gás ser extremamente prejudicado pela pandemia. Obviamente, houve um tempo de reação e reorganização à nova situação. Mas nada que, pelo menos no nosso ponto de vista, prejudicasse de maneira notável o andamento das coisas. Vejo que o mercado de óleo e gás está retomando.

Talvez, a pandemia até acelere o processo de digitalização das empresas…

O que aconteceu, na verdade, foi uma junção de fatores. A própria Petrobrás já estava em um processo de reestruturação, em função do passado recente. Nesse caminho de retomada, a transformação digital já estava inclusa nos planos. A pandemia, na verdade, só aceleou esse processo. Aconteceu um ajuste no timing na implementação das transformações digitais, seja na Petrobrás ou no mercado petroquímico, de maneira geral.

Então, a Aveva, como empresa de tecnologia, está no lugar certo na hora certa. Já estávamos trabalhando muita coisa nesse sentido e, para nós, 2020 está sendo um ano muito bom em termos de resultado e de contato com cliente.

Não sofremos muito com a questão do trabalho remoto. Existia muita discussão sobre isso, de que o trabalho remoto não era produtivo. E vem se mostrando o contrário. Então, decisivamente, o mundo nunca mais será como era antes nesse ponto de vista também.

Quais são as novidades mais recentes da Aveva para o mercado?

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O que aconteceu foi o lançamento de uma plataforma que se chama Aveva Connect, que é nossa plataforma em nuvem, onde disponibilizamos todo nosso portfólio em cloud.  Ou seja, se um cliente X quer usar qualquer uma de nossas soluções, ele contrata o acesso a determinado software através da nossa nuvem. Então, isso facilita à adequação dos nossos clientes a essa fase de aceleração da transformação digital.

Qual a importância do mercado brasileiro e do setor de óleo e gás para os negócios da Aveva?

De uma maneira geral, o mercado de óleo e gás ainda continua sendo o principal para a Aveva no Brasil e também na América Latina.

A América Latina, em termos de porcentagem de crescimento, foi a principal região dentro da Aveva. E o Brasil, dentro da América Latina, foi o país que puxou esse crescimento. Realmente, estamos tendo um ano excelente.

Olhando para 2021, quais as previsões da Aveva?

As previsões são as melhores possíveis. Acho que existe o fator de ser um ano de pré-eleição no Brasil, com algumas influências políticas. Mas, de qualquer maneira, vejo de maneira bem otimista. Eu acredito que, devido à pandemia, houve aceleração natural da transformação digital em 2020 e, em 2021, será a consolidação dessas transformações.

Ficou evidente que as tecnologias e a transformação digital são os caminhos para o sucesso. A pandemia veio para comprovar isso. O ano de 2020 é de consolidação e revisão de planos. Já 2021 será um ano de consolidação dessas soluções e dessa trajetória. A Aveva é um forte player nesse mercado e não tem como deixar de olhar de forma otimista para esse cenário.